O Xamanismo foi largamente difundido no norte da Ásia e por toda a América. É o mais antigo sistema de tratamento do conjunto corpo-alma. Os estudiosos remontam seu aparecimento há mais de trinta mil anos, antes das antigas religiões universais, e é interessante notar que, apesar da grande distância entre seus praticantes, como, por exemplo, esquimós do Alasca e indígenas do Brasil Central, sua aplicação e métodos são muito semelhantes.
Essencialmente, o Xamanismo faz manipulação de energias direcionada à alma. Xamã - termo de origem Tungu - é o mestre dessa manipulação, que utiliza uma Ciência trazida pelos Equitumans, que foi sofrendo muitos desvios através dos tempos.
Um ramo do Xamanismo - a benzedura - é a manipulação de forças telúricas (*), especialmente a ação dos elementais (*), em que se usa uma ou mais formas de orações para a revitalização dos chakras, principalmente para tratar crianças que não têm condições de se defenderem conscientemente. É a benzedura um conceito antigo de cura que compreende três sistemas da antiga Medicina: o mágico, o teológico e o naturalístico.
O Xamã tem o poder de abandonar conscientemente o seu próprio corpo, alcançando outros planos e encontrando outros espíritos, bem como ceder seu corpo para a manifestação de outro espírito. É preparado, em sua tribo, depois de demonstrar suas aptidões, sendo instruído por outro Xamã e por mestres que lhe ensinam as tradições religiosas do seu povo.
Quando está pronto, recebe uma iniciação, passando por provas que, simbolicamente, implicam em sua morte e ressurreição - uma iniciação.
Após iniciado, assume quatro funções:
a) CURANDEIRO - sabe como reconduzir de outros planos a alma da pessoa doente e refazer a força vital, curando e aliviando dores;
b) SACERDOTE - dirige os rituais e os sacrifícios para o bem-estar da tribo (por exemplo, nos povos Esquimós, o Xamã desce até o fundo dos mares e consegue, com acertos com a “Mãe das Focas”, assegurar pesca abundante);
c) GUIA DE ALMAS - acompanha o espírito do desencarnado até à sua nova morada; e
d) VIDENTE - verifica fatos futuros, podendo prever ataques de tribos inimigas, descrevendo seus movimentos e até a quantidade de guerreiros que estejam ameaçando sua tribo.
Pelo Xamanismo, podia-se fazer a troca de alma de um corpo para outro - o avatar -permitindo que o espírito tivesse uma longa permanência na Terra.
Com o declínio da cultura Equituman, uma parte apenas dessa Ciência permaneceu em poder dos Grandes Sacerdotes das tribos mais antigas, que, mesmo com pequena e desvirtuada parcela do conhecimento, mas com atividades fundamentais na preparação de oferendas para propiciar boa caça e colheitas, para rituais de agradecimento por benefícios recebidos e celebrações de fatos agrícolas e astrológicos e, em especial, nos trabalhos de cura, passaram a dominar seus povos pelos grandes fenômenos que produziam. Passaram a ser os guardiões da sabedoria ancestral de manipular os elementos da Natureza, principalmente para a cura do corpo físico.
Por toda a América, os índios aprenderam a lidar com esses poderes, mantendo em suas culturas uma linha que poucas deturpações sofreu.
Na região do Xingu, o pajé aplica o Xamanismo eficazmente em diversas situações: na doença, na guerra, na caça e na agricultura. Seu poder é imenso, e isso faz com que domine seu povo.
Em todas as culturas nas quais este poder de cura sobreviveu, somente pela tradição oral, o Xamã - aquele que aplica o Xamanismo - passou a ser o responsável pelo equilíbrio físico e psicológico de seu povo, agindo como mediador entre o visível e o invisível, manipulando as forças do espírito e da alma para a cura e orientação de sua tribo.
Tia Neiva, em reunião de 9.9.80, contou que sabia de casos de trocas de almas, em que o Xamã passava a alma de um velho sábio para o corpo de um jovem guerreiro, em tribos do Xingu. Nos falou, também, da intromissão de uma alma em outro corpo, causando problemas de personalidade e atuando mais forte que uma possessão.
Mas assegurou que a alma que recebeu suas consagrações não se desliga do perispírito.
“Na vida absoluta do espaço existem todas as formas que consistem o organismo humano. Mas nem sempre se põem em ação.
Porém, pela harmonia da corrente magnética do perispírito, que mesmo seguro ao sistema nervoso do corpo emite a alma e se põe em movimento, se atrai e se comunica. No movimento da alma a outras se faz o perigo da volta. Sim, se ela não estivesse presa ao magnético vital nervoso do corpo.
Este mesmo processo encontramos na manifestação de uma alma a outra, ou baixando sobre outro corpo que não o seu, porém que emite carga magnética e faz harmonia, quebrando as barreiras do neutrom.
Existem muitas formas de manifestação dessas almas - ou reencontros - em planos diferentes, ou manifestação com diferentes magnéticos.”
(Tia Neiva - O Perispírito, sem data)
Fonte: Tumarã
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